Há livros que parecem feitos para uma determinada estação do ano. The Pumpkin Spice Café, de Laurie Gilmore, dificilmente poderia esconder a sua vocação outonal: uma pequena cidade, um café, abóboras, um clube de leitura e toda aquela atmosfera cosy que começa a aparecer por todo o lado assim que chega setembro.
Quando comecei a lê-lo, já sabia que era um cosy romance bastante popular. O que não esperava era que o lado spicy tivesse tanto peso e que, para mim, acabasse por ocupar espaço que teria preferido ver dedicado às personagens e à própria história.
Não fiquei propriamente fã do livro. Curiosamente, foi precisamente isso que me fez pensar que pode ser uma leitura interessante para alguns adultos que querem começar a ler ficção em inglês.
E não, as duas coisas não são incompatíveis.
Muito ambiente, pouca história
Há aspetos de The Pumpkin Spice Café de que gostei. A pequena cidade funciona muito bem como cenário, gostei do café, do clube de leitura e daquela sensação de comunidade que está normalmente associada a este tipo de romance.
O problema foi tudo o resto.
A história pareceu-me demasiado superficial e previsível. As personagens estão construídas a partir de vários clichés e os acontecimentos avançam tão depressa que raramente há tempo para conhecer verdadeiramente quem está na história ou para deixar um conflito desenvolver-se.
Em vários momentos tive a sensação de estar perante a versão literária daqueles filmes românticos que, em Portugal, associamos facilmente às tardes de domingo: sabemos mais ou menos quem vai ficar com quem, conseguimos antecipar muitos dos obstáculos e também desconfiamos de como tudo vai acabar.
Isso não significa necessariamente que seja um defeito para quem procura exatamente esse género. Para mim, enquanto leitora, tornou a história demasiado previsível.
Também não continuei a série. Depois de perceber que os livros seguintes mantêm uma fórmula semelhante, concluí simplesmente que não sou o público certo.
E o tal spice?
O título até dá algumas pistas, embora talvez não da forma que eu inicialmente imaginava.
O livro inclui algumas cenas de conteúdo sexual. Não as considero particularmente explícitas nem de mau gosto, mas não estava à espera que tivessem aquele peso dentro deste tipo de história.
Mais do que o conteúdo em si, incomodou-me a sensação de que algumas dessas cenas estavam ali porque fazem parte da fórmula e porque procuram atingir um determinado público.
Não é uma questão de pudor. Simplesmente não é aquilo que procuro neste género e, neste caso, contribuiu mais para os pontos negativos do que para os positivos.
Vale a pena saber isto antes de escolher o livro, sobretudo porque a capa e toda a estética cosy podem criar expectativas diferentes.
E há aqui uma distinção importante: considerar um livro linguisticamente acessível a um leitor B1 não significa considerá-lo adequado a todas as idades nem a todos os gostos. O nível refere-se apenas à dificuldade da língua e da leitura.
Então porque recomendo sequer este livro para praticar inglês?
Aqui está a parte interessante.
Algumas das características que me fizeram gostar menos do livro enquanto leitora são precisamente aquelas que podem facilitar a vida a quem ainda não tem muita experiência a ler romances em inglês.
Eu colocaria The Pumpkin Spice Café, aproximadamente, num nível B1, embora tenha algum vocabulário que pode ser mais desafiante.
Não se trata de um livro concebido para estudantes de inglês nem de um graded reader. É um romance escrito para leitores adultos. Ainda assim, a estrutura da história torna-o relativamente acessível.
A história é fácil de acompanhar
Quando estamos a ler numa língua que ainda estamos a aprender, compreender o contexto é uma enorme ajuda.
Neste livro, é relativamente fácil perceber quem são as personagens, quais são as relações entre elas e para onde a história está provavelmente a caminhar.
E aqui a previsibilidade, que me incomodou enquanto leitora, pode funcionar a favor de quem está a ler em inglês.
Se encontramos uma palavra desconhecida, muitas vezes conseguimos perceber o suficiente através do contexto para continuar a leitura. Não precisamos de parar. Não precisamos de abrir imediatamente o dicionário. Podemos simplesmente continuar.
E aprender a fazer isso é uma parte importante do desenvolvimento da leitura numa língua estrangeira.
Não é preciso compreender todas as palavras
Este é um dos obstáculos que encontro frequentemente quando alguém começa a ler em inglês: a ideia de que é preciso perceber praticamente tudo.
Não é!
Se tiveres de consultar o dicionário cinco vezes em cada página, o mais provável é que a experiência se torne cansativa muito rapidamente.
Numa leitura extensiva, o importante é conseguir acompanhar a história, reconhecer uma grande parte do vocabulário e utilizar o contexto para inferir aquilo que ainda não conhecemos.
Algumas palavras vão ficar por descobrir. Não faz mal.
Se forem realmente importantes ou aparecerem repetidamente, provavelmente acabarás por aprendê-las.
A simplicidade também pode ser uma vantagem
Outra das razões pelas quais considero este livro acessível é precisamente a simplicidade da narrativa.
Os conflitos não são particularmente complexos. As personagens seguem padrões reconhecíveis. Muitas situações são familiares e há bastante diálogo e interação quotidiana.
Tudo isto reduz a carga necessária para acompanhar a história.
Para um leitor experiente, essa simplicidade pode tornar o romance pouco estimulante. Para alguém que está a tentar terminar um dos primeiros livros completos em inglês, pode representar exatamente o contrário: a possibilidade de chegar ao fim sem sentir que cada capítulo é um exercício escolar.
E há outra vantagem importante: é um livro para adultos.
Para quem pode funcionar?
Eu sugeriria este livro sobretudo a um adulto que já tenha aproximadamente um nível B1 ou B1+ e queira experimentar ler um romance completo em inglês sem passar metade do tempo agarrado ao dicionário.
Pode funcionar particularmente bem para quem gosta de romances leves, pequenas cidades, ambientes cosy, histórias bastante previsíveis e algum conteúdo spicy.
Se procuras personagens muito desenvolvidas, uma história surpreendente ou uma escrita literariamente mais elaborada, provavelmente não será a melhor escolha.
Também não foi para mim. Mas isso não significa que não reconheça a sua utilidade para outro tipo de leitor.
Um livro não precisa de ser excelente para ser uma boa ferramenta de aprendizagem
Esta talvez seja a parte mais curiosa da minha experiência com The Pumpkin Spice Café.
Não fiquei com vontade de continuar a série. Achei a escrita demasiado simples, a história superficial e previsível e não sou particularmente fã da componente spicy deste género.
Mas, olhando para o livro do ponto de vista da aprendizagem do inglês, consigo vê-lo de outra forma.
A previsibilidade ajuda a compreender o contexto. A simplicidade facilita a progressão. A linguagem permite continuar a leitura mesmo sem conhecer todas as palavras. E o facto de ser uma história para adultos pode torná-lo mais apelativo para quem quer dar os primeiros passos na leitura de romances em inglês.
Por isso, não entrou para a minha lista de romances favoritos. Pode, no entanto, entrar na lista de livros que sugeriria a alguns adultos que querem começar a ler em inglês.
E essas são duas listas completamente diferentes.

