O Meu Caderno de Aprendizagens: Maio a Setembro de 2026

Quando publiquei a primeira parte deste Caderno de Aprendizagens, reuni algumas das formações que tinham acompanhado os primeiros quatro meses de 2026.

Entre maio e setembro continuei a aprender bastante, embora de formas muito diferentes. Algumas formações estiveram diretamente ligadas ao meu trabalho. Outras levaram-me para áreas que conhecia pouco. Houve também webinars curtos, muito específicos, que me fizeram rever práticas ou olhar para determinados temas com outra perspetiva.

Ao juntar tudo agora, percebo que é precisamente isso que me interessa na formação contínua.

Escolher. Experimentar. Confirmar. Questionar. Aproveitar aquilo que faz sentido e, de vez em quando, ir aprender alguma coisa que aparentemente fica fora do caminho habitual.

Aprender para ensinar e partilhar

Uma das formações mais importantes destes meses foi a Formação Pedagógica Contínua de Formadores – Formador de Formadores, do IEFP.

Foram 50 horas dedicadas ao trabalho do formador, às metodologias, ao planeamento, à condução da aprendizagem e à reflexão sobre a própria prática.

Depois de muitos anos ligada à formação e à educação, há uma mudança interessante que começa a acontecer: continuo a querer aprender, naturalmente, mas começo também a pensar cada vez mais na forma como posso transformar aquilo que aprendo em conhecimento útil para outras pessoas.

Talvez tenha também a ver com a experiência acumulada. Há coisas que hoje consigo organizar e explicar de uma forma que eu própria teria gostado de encontrar há alguns anos. Não porque tenha respostas para tudo, mas porque já experimentei, já errei, já voltei atrás e já tive de procurar outras formas de fazer.

E começo a sentir vontade de partilhar mais desse lado do meu trabalho com outros formadores.

Certificado da Formação Pedagógica Contínua de Formadores – Formador de Formadores, concluída por Orquídea Pires em Maio de 2026.

Ensinar línguas também exige continuar a aprender

Ao longo destes meses participei também em vários webinars da Cambridge, Pearson e Macmillan Education.

Os temas foram bastante variados: planeamento de oportunidades de aprendizagem, ambientes mais inclusivos, motivação de crianças e adolescentes, problem-based learning, apoio a alunos de níveis mais baixos, writing, com foco no planeamento, organização de parágrafos e argumentação, compreensão da ideia principal em atividades de leitura e listening e novas abordagens à avaliação.

São formações geralmente curtas e muito focadas. E isso pode ser uma vantagem.

Uma hora dedicada a um problema concreto pode trazer uma estratégia nova, levar-me a repensar uma atividade ou simplesmente confirmar que determinada prática continua a funcionar bem.

Outras formações levaram-me ainda a temas como a diversidade etária, a inclusão e a dimensão emocional da aprendizagem.

Todos estes assuntos acabam por tocar numa questão muito presente no meu trabalho: trabalho com pessoas com experiências, idades, ritmos, conhecimentos e motivações diferentes. Compreender melhor essas diferenças dá-me mais ferramentas para adaptar aquilo que faço.

A inteligência artificial para lá do uso mais óbvio

A inteligência artificial continuou a ocupar uma parte importante da minha formação.

Passei pelo NotebookLM, pela criação e edição de recursos visuais com IA e por abordagens mais diretamente relacionadas com a utilização destas tecnologias no ensino de inglês.

Mas a experiência que mais me levou para fora do meu terreno habitual foi a Climate Change AI Virtual Summer School 2026, que decorreu entre agosto e setembro.

Inscrevi-me precisamente porque queria conhecer outras utilizações da inteligência artificial e perceber melhor o que acontece em áreas mais científicas e técnicas.

Certificado de participação na Climate Change AI Virtual Summer School 2026, concluída por Orquídea Pires.

E encontrei muita coisa que dificilmente teria procurado sozinha.

Alterações climáticas, sustentabilidade, investigação, ciência, programação, análise de dados e processos bastante mais técnicos do que aqueles com que trabalho habitualmente.

Houve conteúdos em que tive de parar, pesquisar conceitos e voltar atrás. Programação também não é a minha área, mas acabei por perceber melhor alguns processos e algumas das formas como a inteligência artificial pode ser utilizada em contextos científicos. Isso foi provavelmente uma das partes mais interessantes da experiência.

É muito fácil reduzir a inteligência artificial aos usos que estão mais visíveis no dia a dia: abrir o ChatGPT, o Gemini ou outro modelo e escrever “faz uma imagem”.

A realidade vai muito mais longe.

Ver aplicações concretas em investigação e em áreas relacionadas com as alterações climáticas deu-me acesso a uma dimensão que raramente aparece quando se fala de IA de forma mais generalista. E também me deu contexto.

Alterações climáticas, tecnologia, programação e inteligência artificial são temas que posso trabalhar com adolescentes e adultos. Algumas das pessoas com quem trabalho pertencem precisamente às áreas da informática, programação e desenvolvimento de software.

Conhecer melhor estes assuntos ajuda-me a compreender o vocabulário, a selecionar informação e a criar materiais mais ajustados a esses contextos. Permite-me também pegar num conceito muito técnico e procurar formas de o tornar compreensível para quem está a aprender uma língua.

O objetivo, para mim, passa por conseguir compreender suficientemente bem estes temas para saber onde procurar, o que perguntar e como trabalhar essa informação.

Aprender por curiosidade também conta

Outra experiência que me levou um pouco para fora da minha área habitual foi a formação IA na biblioteca escolar: novas ferramentas para a leitura, a pesquisa e a literacia digital, promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares.

Inscrevi-me sobretudo por curiosidade.

Gosto de livros e de bibliotecas, mas normalmente conheço-as do lado de quem entra, procura um livro, requisita, lê e volta mais tarde para devolver. Aqui tive oportunidade de espreitar um pouco para o outro lado.

Foi interessante descobrir algumas aplicações da inteligência artificial em tarefas relacionadas com a catalogação e com outros processos próprios das bibliotecas. São assuntos que provavelmente nunca iria estudar por iniciativa própria se esta formação não me tivesse despertado a curiosidade.

E ainda bem. Nem todas as aprendizagens precisam de ter uma aplicação profissional imediata.

Às vezes, inscrevo-me porque quero perceber como funciona determinada área, ouvir quem sabe mais sobre um tema ou aproveitar uma oportunidade para aprender alguma coisa que dificilmente procuraria sozinha.

E os certificados também não precisam todos de acabar numa moldura na parede do escritório.

Escolher o que fica

Quanto mais formação faço, mais seletiva me torno.

Há temas que quero aprofundar. Outros confirmam aquilo que já faço. Alguns abrem possibilidades que ainda não sei exatamente onde vão levar. E, de vez em quando, aparece uma formação que me leva para um território completamente diferente e acaba por me ensinar precisamente por isso.

Entre maio e setembro houve pedagogia, ensino de línguas, inclusão, inteligência artificial, bibliotecas, alterações climáticas e áreas bastante diferentes entre si.

Quando olho para tudo em conjunto, encontro uma ligação bastante simples: compreender melhor para conseguir ensinar, criar, comunicar e continuar a fazer perguntas.

Este Caderno de Aprendizagens regressará no final do ano, para fechar 2026.

Até lá, ainda há muito para aprender.